39 semanas hoje.
E a E. sem aparecer.
Não faz mal nenhum, temos tempo.
Descubro que sou mais ágil quando me mexo, que nem me doem nada as costas e que só não dá muito jeito andar muito porque a barriga está mais baixa e às vezes prende os movimentos. Mas sinto-me muito mais eu do que há quatro semanas atrás em que me sentia uma lontra redonda de sofá. E no entanto, a barriga está, dizem, muito maior.
Hoje comprei um tamboril mais ou menos com o peso que ela deve ter quando nascer. Arroz de para o jantar e morangos para o lanche - sem nada, inteiros como gosto.
No Pingo Doce não foi preciso pedir prioridade a ninguém, nem na peixaria nem na fila para pagar. Senti-me tratada um bocado como se fosse um alien. Será que as grávidas de termo não devem ir ao supermercado? Têm medo que a coisa aconteça "ali"?
E no entanto continuo a achar que seria muito mais importante que me cedessem a prioridade quando passei um dia inteirinho não grávida de pé e de saltos de 8 cm (eu sei que é pouco, mas para mim é o máximo).
Já converso com ela para lhe dizer que ainda está com tempo mas que convém que comece a pensar sair. Só que ainda há bocado lhe pedi que esperasse por amanhã à tarde porque amanhã de manhã os senhores do Continente vêm fazer uma entrega e dava jeito estar alguém em casa.
E toda a gente diz que por esta altura a mulher está mais estúpida, mas eu acho que é mentira.
Estúpidas ficamos quando nos mandam ficar no sofá e não mexer.
Eu só estou selectiva: não estou para aturar chatices do trabalho, aliás, chatices nenhumas, só me apetece fazer o que me apetece, mas ando a ter conversas mais inteligentes do que nos últimos dois meses.
E tenho ido ao cinema.
E., pensando bem, se quiseres demorar mais quatro ou cinco dias a mamã não se importa nada.
Mas vem bem!