sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Hallelujah

10 anos.
Há dias em que me parece que há minutos fechei o computador e me deste um beijo. Finalmente. [Sempre fui impaciente. Tive de aprender a esperar. Ainda tenho de aprender a esperar]
Há dias em que me parece que foi há décadas [uma] que fomos juntos a Itália, que passei a ponte pela primeira vez a pé e conheci a tua mãe.
10 anos.
Não sei onde foram parar, exceto que estão bem aqui, em tudo. Nas nossas gargalhadas, nas nossas danças a qualquer hora na sala, na nossa casa que vamos vender, no futuro que deixámos de querer suspender, na Ema que se tornou parte de nós e até nas crises, no atirar feio de meias por motivos estúpidos, porque precisávamos (também) de conhecer os nossos limites.
10 anos.
Viajámos para sítios que não conhecíamos, conhecemos os nossos corpos quase de cor. Crescemos os dois. Crescemos os três. Crescemos os quatro [um dia].
Não é muito. Não é pouco.
É tudo e o futuro. Infinité.
Já não sei adormecer sem ti.
Hallelujah.
Já não sei viver sem ti.
Hallelujah.
10 anos.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

The Music of the night

Hoje é um dia em que posso durante uns breves momentos ter pena.
Vai mudar tudo na mesma. Há-de mudar para melhor na mesma.
Mas não como já começavamos a sonhar.
Talvez seja de facto altura de nos tornar-nos mais uma família pacata dos subúrdios.
Que não está bem, mas também não está mal.

Haveremos de pensar sempre que podíamos ter ido.
Mas haverei de valorizar também a riqueza do facto de que ter a familia e os amigos por perto é uma escolha que não tive de fazer.
O problema agora é não ter tido que escolher.

Só hoje.
Amanhã vai ser melhor.
E com algo muito mais importante do que uma mera mudança de país.
Exceto que "mera" também não é bem verdade.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Hallelujah

Às vezes, acho que a Sofia escreve de forma demasiado lamechas.
Mas às vezes, também acho que escreve "au point". Como se adivinhasse.

"todos os dias faço questão de dizer a mim mesma:
mesmo quando não parece, a vida conspira a teu favor. vai lá. e acredita. sempre. - ❥-"

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Changes

A nossa vida vai mudar. Mesmo no fim do ano, uma vida nova.
Ainda está tudo em suspenso, ainda pode ser muita coisa.
Algo vai mudar e ainda pode ser uma de três coisas. Ou várias ao mesmo tempo.

E eu balanço entre o entusiasmo (quem não arrisca não petisca) e o medo de sair da zona de conforto.
Vamos reinventar-nos. E precisamente quando fizermos 10 anos que estamos juntos.
Não foi propositado. Nada disto foi propositado.
E o mais bonito é ver-te assim.
Sempre sempre sem medo, convencido que será tudo pelo melhor.

Se não fosses tu, nada disto fazia sentido.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Do que sou capaz

Aos dois anos e (quase quase meio) tornaste-te uma menina.
Explicas tudo, danças (e fazes-nos dançar), dás beijos e mandas dar (mas dizes que quem manda é a mamã e o papá).
Levantas-te sozinha e vens ter connosco.
Sabes o que queres. Nem sempre percebes que não podes ter tudo o que queres.

Estes dois anos e meios foram duros. Mas foram inigualáveis.
E talvez também por terem sido duros tenho um orgulho gigante na menina que te tornaste.

Gostava agora de te poder dar um irmão, ou irmã.
Descobrires que o teu/tua melhor amigo/a está mesmo ao teu lado, o resto da tua vida.

Já se sabe que connosco isto nunca é muito fácil...
Há-de acontecer, um dia. E espero que percebas o valor disso.

Até lá, sei que tens tudo o que precisas.
E eu também.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

God only Knows

É que uma pessoa até pode estar chateada, e querer barafustar e troca o passo e tudo e tudo e estar desiludida com certas atitudes do marido naquele dia... mas e depois entra no carro, com a piquena e o pai desta (que por acaso é o tal marido) e ouve isto e junta as mãos...



Está tudo contra mim.
(ou então não) :-)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Uma gota

Ando para aqui a matutar com os meus botões.
Talvez devesse fazer terapia - a desculpa do não tenho tempo, nem dinheiro, dá sempre jeito.
Assustei-me aqui há dias e nem comentei com ninguém.
Tudo por causa deste anúncio:



Ouvi no carro, a caminho de algures.

"Achas que o mundo era o que é se tu não existisses?"
Impressionantemente (pelo menos para mim), saiu-me um "era". Em alto e bom som. Só para mim que estava no carro.

Aquilo bateu-me.

Acho que respondi impulsivamente mas respondi a verdade.
Num lato "mundo", sou muito muito pouco. Por mais que as minhas expectativas fossem diferentes, talvez.
Houve um tempo em que sonhei que ia marcar uma real diferença no mundo. Não ia ser "mais um".
Ia mudar alguma coisa no mundo, ser alguém marcante. Alguém que ia ter um lugar na História.

A minha resposta espontânea e imediata, bateu-me fundo.
Seria isso sinal de depressão? Seria sinal de que algo não estava bem?
(talvez por isso tenha demorado tanto a escrever aqui sobre isso. E talvez por isso não tenha falado disto a ninguém).

Agora que já pensei muito nisto aqui estão as minhas conclusões.

Se eu não existisse, o mundo no seu todo era igual. Mas se eu não existisse a vida de algumas pessoas seria diferente. E provavelmente menos feliz.
Não haveria Ema (o maior e melhor testemunho da minha existência que posso deixar no Mundo), o Pedro teria de ter outro alguém que não eu para amar, os meus amigos seriam amigos, mas não de mim.

Sei hoje (e já sabia) que marco positivamente algumas pessoas. Mas não é o Mundo, não é o mundo todo. São algumas pessoas. E o que é verdadeiramente importante no meio disto tudo é que vivo bem com isso.

Aos (quase) 32 anos já construi milhentas memórias. Já impactei a vida de várias pessoas. Amei, desamei, voltei a aprender a amar. Puxei para cima, puxei-ME para cima. Fui em frente, não desisti. Não deixei desistir.
Já voei e deixei voar.
Já fui. E sei que vou continuar ser.

Só que agora sei exatamente quem sou.
E provavelmente não há melhor sensação no mundo, mesmo que ele fosse o mesmo se eu não existisse.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Menina

É um pequeno furacão.
Corre, anda de trotinete, avança decidida, olha para trás - "peia".
Atira-se para o chão, atira-me coisas (um furacão, já disse?), atira-se para mim em meiguice bruta (é só um abracinho).
Ri à gargalhada, susurra, dá beijinhos, e passou-bens e passou-bens à princesa (com beijinho).
Anda de biquinhos nos pés, balança-se, roda com a música ("roda, roda, roda e não saias do lugar"), grita "mamãeeeeee". E "papaiiiiiii".

É um pequeno furacão.

terça-feira, 29 de março de 2016

terça-feira, 22 de março de 2016

Imortais

Semanas dificeis estas em que há doentes em três terras diferentes - e o mais grave na mais distante.
Em que sabes que tens de ir a mais médicos com a E. mesmo sabendo que não tem nada.
Em que pareces discutir por tudo e por nada.
E em que pelo meio há (mais) um atentado terrorista, desta vez em Bruxelas.

E ainda só é Terça-feira.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Thousand Years

Sim, hoje estou cansada.
Dormi pouco, tu menos do que devias e até fizeste birra quando ficaste na escola.
Querias mais dias como o de ontem.
Juntos, no Jardim Zoológico, a ver os golfinhos a saltar (de braços no ar, "Mais!!!").
No Macdonalds, pela primeira vez, a comer um hamburguer "natura" com cenourinhas cruas e um bocadinho do Flurry a que o papá não resistiu...
Na festa com a avó Cai, o abu, a "Nês", a Bruna, a Sandra, o Nuno, a Tia Fia, o Ti Toi, a Ana Maria e o Tio Nunes.
Com a casa cheia de balões - o que tu querias mesmo para os teus dois anos (mesmo que não soubesses ainda pedi-lo, nós sabíamos).

Fazer festas é muito cansativo. Mimámos-te o dia todo. E hoje levamos por tabela.
Mas merecias isto e tanto mais...

Não sei onde foram parar os últimos dois anos, mas sei que não os trocava por nada. E quero mais disto que temos, os três.
Quem sabe, um dia, quando o teu pai e eu ganharmos coragem (e se a sorte assim o quiser), os quatro.


quinta-feira, 10 de março de 2016

Concha (Buika)

Quem diria que ao fim de 8 anos juntos, passaríamos a dormir em conchinha.
Nós, que sempre dormimos cada um para seu lado, na liberdade do descanso individual (mesmo e sempre com um beijinho antes). Mas de repente, agora chegamos àquela hora e enrocamo-nos.
Talvez dure só até ao Verão.
Ou só enquanto ainda for preciso levantar-me algumas vezes algumas noites.
Mas agora é muito bom.

Estou com saudades tuas.
Quero fazer conchinha.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Born and raised

São várias as vezes em que gostava de estar sozinha, não vale a pena mentir.
Mas chegar a casa e brincar. Rir, depois de um dia em que pode tudo correr mal....

Ver-te a fazer pão comigo - e no dia seguinte a comê-lo com a plena consciência que tu também o fizeste.
A pegar no saco das fraldas e outros sacos "como eu pego", acenando a dizer "te manãnã"...

Um dia não vais gostar de mim. Vais dizer que te manipulo, que não sei nada, que queres estar longe de mim, e eu vou morrer de pena.
Porque vai haver dias assim, quero sorver estes momentos.
E saber que poderás afastar-me um dia, mas isso nem interessa.
Vais ser uma pessoa fenomenal.

Gosto tanto tanto de ti.