Chamava-se "O Lápis", tinha uma capa vermelha, com um grande lápis em desenho.
Estava escrito com letra da primária, e com grandes linhas espalhadas (e hífens), para eu conseguir perceber tudo.
O primeiro livro que li sozinha, contava a história de um lápis, de que não me lembro bem, e outra ainda, de um rapaz que comia bombons. Dessa lembro-me.
A mãe deu-lhe uma caixinha de bombons e disse-lhe para não comer os bombons todos de uma vez. Quando chegou o fim do dia, não havia bombons, e o rapaz estava cheio de dores de barriga. "Eu disse-te", ralhou a mãe. Respondeu o rapaz: "Mas eu não os comi todos de uma vez, comi um a um, de cada vez".
Não me lembro do meu primeiro concerto, mas lembro-me do primeiro livro que li.
O rapaz dos bombons há-de sempre continuar comigo.
Tal como o bom livro, entre as minhas mãos.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Breath in, Breath out
Hoje estou com um daqueles humores da treta. Não, não dormi o suficiente e não tão bem como seria suficiente. Estou sem paciência.
Já perdi uma manhã a tratar da sincronização do meu telefone novo (já que o outro desligava sem causa aparente), e já me apeteceu gritar com mais do que uma pessoa. Porque estão a perder tempo, porque não pensaram antes de falar, porque simplesmente só pensam nelas, porque estou sem paciência. Em vez de gritar, reviro os olhos (admito, nem consigo evitá-lo), e respiro fundo. Bem fundo.
Oh god, make this shity day go away!
Já perdi uma manhã a tratar da sincronização do meu telefone novo (já que o outro desligava sem causa aparente), e já me apeteceu gritar com mais do que uma pessoa. Porque estão a perder tempo, porque não pensaram antes de falar, porque simplesmente só pensam nelas, porque estou sem paciência. Em vez de gritar, reviro os olhos (admito, nem consigo evitá-lo), e respiro fundo. Bem fundo.
Oh god, make this shity day go away!
sexta-feira, 21 de maio de 2010
We are Family
I love you, grandpa!
Desculpa não te ter dito isto tantas vezes quantas as que queria.
Faz um ano que moras no carinho da minha memória. E não desapareces.
Desculpa não te ter dito isto tantas vezes quantas as que queria.
Faz um ano que moras no carinho da minha memória. E não desapareces.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Sick Sad Little World
"O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (...)
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. (...) A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!"
Eça de Queiroz, As Farpas, 1871
Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (...)
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. (...) A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!"
Eça de Queiroz, As Farpas, 1871
quarta-feira, 12 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Same Mistake
Aprendemos com os erros. Todos.
Mas quando vemos outros (amigos) a cometerem erros que sabemos que são erros, e que podem ser evitados, ficamos frustrados com a impotência de ser inútil dizer o que quer que seja, porque ainda assim, o erro será cometido. E ficamos distantes.
Mas quando vemos outros (amigos) a cometerem erros que sabemos que são erros, e que podem ser evitados, ficamos frustrados com a impotência de ser inútil dizer o que quer que seja, porque ainda assim, o erro será cometido. E ficamos distantes.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Over the Rainbow
Há histórias de vida impressionantes.
Gosto de Melody Gardot, já a ouvi vezes sem conta.
Vem a Portugal e a tentar informar-me sobre o concerto descobri o seguinte:
"Melody Gardot tem 25 anos, dois álbuns de jazz vocal, "Worrisome Heart" (2008) e "My one and only thrill" (2009), uma história de vida que a empurrou para a música.
Em 2004, Melody Gardot foi atropelada por um automóvel quando andava de bicicleta. Tinha 19 anos, tocava piano em bares, estudava e não tinha qualquer projeto de se dedicar à música.
O acidente causou-lhe graves lesões físicas e neurológicas, tendo sido aconselhada a fazer terapia através da música, para facilitar sobretudo o desenvolvimento neurológico.
Foi no hospital que, à guitarra, começou a compor os temas que integram o EP "Some Lessons: The Bedroom Sessions", editado em 2005, e três anos depois estava a lançar o primeiro álbum pela Verve. "
in SIC
terça-feira, 4 de maio de 2010
Maybe Tomorrow
Sou talvez uma pessoa de humores, ou não.
Hoje, quando a gata mais nova teimou em nos trocar as voltas e novamente subir ao telhado, zanguei-me.
Depois de meia-hora a tentar que ela voltasse, olhava desesperadamente para o relógio, exasperada, até que decidi que o destino é que devia decidir. Ela que fique, vai voltar, pode é sempre voltar com surpresas, suja, e alguns bufos da gata mais velha que não lhe conhece o cheiro.
As minhas gatas têm muito de mim. Chego a casa e encontro-as, sempre, sôfregas por um bocadinho de atenção que nem sempre dou. Uma que se esconde no sofá e vai aparecendo lentamente, a outra que já está à porta muito antes da chave tocar na fechadura.
Uma que não toca no limiar da janela, porque prefere sempre ficar recatadamente no quentinho dos seus cantos (e que medo de sair!), a outra que se estende, se puder (e pode) ao sol da varanda e que anseia todos os dias poder (e não pode) dar uns passinhos lá fora, onde quer que seja, nos telhados ou tão só nas escadas do prédio.
Amanhã vou ser mais assim, hoje sou mais gata meiga escondida debaixo do sofá.
Hoje, quando a gata mais nova teimou em nos trocar as voltas e novamente subir ao telhado, zanguei-me.
Depois de meia-hora a tentar que ela voltasse, olhava desesperadamente para o relógio, exasperada, até que decidi que o destino é que devia decidir. Ela que fique, vai voltar, pode é sempre voltar com surpresas, suja, e alguns bufos da gata mais velha que não lhe conhece o cheiro.
As minhas gatas têm muito de mim. Chego a casa e encontro-as, sempre, sôfregas por um bocadinho de atenção que nem sempre dou. Uma que se esconde no sofá e vai aparecendo lentamente, a outra que já está à porta muito antes da chave tocar na fechadura.
Uma que não toca no limiar da janela, porque prefere sempre ficar recatadamente no quentinho dos seus cantos (e que medo de sair!), a outra que se estende, se puder (e pode) ao sol da varanda e que anseia todos os dias poder (e não pode) dar uns passinhos lá fora, onde quer que seja, nos telhados ou tão só nas escadas do prédio.
Amanhã vou ser mais assim, hoje sou mais gata meiga escondida debaixo do sofá.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Wishlist
Que os dias maus passem a correr, e os bons não acabem
Que a praia esteja sempre deserta e o mar sempre a 25º
Que existam, de facto, fadas madrinhas que arrumam a casa
e que ninguém tenha de pagar impostos pelo menos uma vez na vida
Que a gente se entenda
Que o inverno só apareça às vezes, em dias de sol
E que a chuva seja miudinha, sempre, daquela que sabe bem lamber
Que as flores não murchem
Que o fim-de-semana tenha 4 dias
Que viajar seja sempre baratinho e de preferência por avião
Que o carro se porte bem
e que as gatas não larguem pêlo nem fujam pelo telhado.
Que o dia-a-dia seja mais do que rotina
Que a praia esteja sempre deserta e o mar sempre a 25º
Que existam, de facto, fadas madrinhas que arrumam a casa
e que ninguém tenha de pagar impostos pelo menos uma vez na vida
Que a gente se entenda
Que o inverno só apareça às vezes, em dias de sol
E que a chuva seja miudinha, sempre, daquela que sabe bem lamber
Que as flores não murchem
Que o fim-de-semana tenha 4 dias
Que viajar seja sempre baratinho e de preferência por avião
Que o carro se porte bem
e que as gatas não larguem pêlo nem fujam pelo telhado.
Que o dia-a-dia seja mais do que rotina
Que tudo corra bem, sempre. Ou não.
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