sexta-feira, 29 de outubro de 2010

I can see clearly now

Hoje apanhei a MAIOR CHUVADA DE SEMPRE, na A5.
Tudo de 4 piscas, médios, luzes de nevoeiro à frente e atrás, 20 km/h e lá fomos nós a fingir que os carros são botes.

Em simultâneo, na rádio, a música apropriada "I can see clearly now, the rain is gone, I can see all obstacles in my way...". Desatei à gargalhada.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Upside Down

Sempre disse que nunca seria medíocre.
Que me orgulhava de a minha vida ser um constante de altos e baixos, porque me parece que só assim se pode chamar vida àquilo que vai passando por nós.
Sou suficientemente consciente para achar que o "alto" ou a plena felicidade em constante é uma impossibilidade (o paraíso deve ser uma seca), e suficientemente exigente para achar que uma vida "ao mais ou menos" não me chega. Quero um gráfico aos picos para cima e para baixo.

Mas às vezes custa chegar aos momentos mais baixos.
Quando o acumular das pequenas coisas chega ao limite, expludo em lágrimas, e às vezes gostava que não fosse assim.

Os amigos que se separam, o inevitável pensar no sítio onde me coloco, alguém da família que se afasta e nós incrédulos, as contas, os problemas, o stress do trabalho do P., um dos amigos completamente de rastos, os outro mais feliz do que há muito tempo.

Quando o professor de inglês me perguntou "Where do you see yourself in 5 or 10 years from now?" acabei por ser sincera. Não inventei a treta que se responde nas entrevistas, "honestly, I have absolutely no idea. Actually, I'm trying to figure it out, at the moment". E fiquei a pensar nisto.

Foi ontem, hoje já estou mais arrumadinha.
Até porque agora a curva é a subir, não é?

It's a good day

Hoje vai ser um bom dia.
Porque tem de ser!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Stay or Leave

Hoje estou mais triste que triste.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Não canto porque sonho

Saudades de ter a t-shirt e os cabelos a colar ao corpo, contigo e o calor húmido em volta e em mim.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

So What

Ontem esqueci-me da carteira no sítio onde almocei... mas ainda estava lá quando cinco minutos depois me lembrei dela. Tive sorte.

Hoje à hora de almoço confundi o carro e o meu lugar no carro. 
Primeiro, dirigi-me para o lugar do morto, quando seria eu a conduzir.
Depois, descobri que aquele não era o meu carro (mas parecia).

Estou a precisar desesperadamente de dormir, como se deve notar. 
Mas não me esqueço do que é realmente importante.

So What?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

20.000 Seconds

Quando tu não estás, cheiro o teu lenço antes de me deitar.
Porque gostava que estivesses.

A vida às vezes é injusta...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Samba da Benção

"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração"

Vinicius de Moraes

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Hold me

Hoje durante a hora de almoço vi as notícias sobre a operação de resgate dos 33 mineiros do Chile.
Confesso que ia chorando. Não pela coisa em si, mas porque os abraços me são comoventes.

Toda a gente que viu o Love Actually conhece a cena dos abraços no aeroporto, e se reconhece nela.
Há de facto momentos muito puros. E, neste, apesar das câmaras e dos holofotes não acredito que as pessoas que lá estão e abraçam quem acabou de subir não pensem "que bom que voltaste".

E isto, digam o que disserem, é sempre bonito.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Free

Afinal as lentes voltaram :-)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Who'd have known

Sinto-me caixa d'óculos. Um bom bocado.
E estou a aprender a viver com isto.
Passei metade da minha adolescência a tentar convencer meio mundo que devia usar lentes.

Óculos é de intelectualóide, não é de sexy, e eu queria ser sexy.

Há pouco tempo escolhi uns óculos novos. Para usar de vez quando, para usar quando as lentes me cansassem.
Mas,de repente, sem avisar, os óculos voltaram, permanentes.

"E mudar de corpo, por acaso, não é uma coisa nem tão engraçada nem tão fácil assim."

Estou a tentar aprender com quem sabe:

Nós, os caixas-d'óculos

por
Ana Sá Lopes
ana.s.lopes@dn..pt12 Janeiro 2007
Um caixa-d'óculos é uma criatura que acredita que uma prótese é melhor que o seu próprio corpo. Como explicar a recusa das agora absolutamente vulgarizadas lentes de contacto? Sim, dão uma trabalheira, parece que se perdem por dá cá aquela palha e perturbam a caça ao "cisco" no olho.
Mas a mais definitiva das razões é que os caixas-d'óculos passaram a gostar mais dos seus óculos do que dos seus olhos. Habituaram-se. Descobriram na prótese uma harmonia qualquer antes inexistente na matéria que Deus lhe deu. Adoptaram um pedaço de massa ou de metal e adjudicaram-no à área de reserva protegida do seu próprio corpo. Têm qualquer coisa a mais ou a menos mas não são infelizes.
Usar óculos tem vantagens, a começar por aquela muito básica - servem para contentar o impulso muito humano de "ter à mão qualquer coisa a que se agarrar". Por isso e outras coisas, os caixas-d'óculos criam relações estapafúrdias com os óculos, como se faz com toda e qualquer coisa do céu e da Terra de que se tenha extrema dependência. P. dizia ontem que sente os óculos como uma espécie de "melhores amigos". N. nunca permitiu que lhe tocassem nos óculos, nem ao de leve. M. nunca fez nada, quase nada, sem óculos (menos tomar banho e dormir). Aquela turbamulta que, nos hospitais, nos retira sanguinariamente os óculos quando entramos em estados mais delicados não percebe que nos está psicologicamente a derrubar e a derrotar a última das nossas defesas. A retirar-nos, até melhores notícias, uma parte vital do corpo. A sonegar-nos o direito à personalidade - que, é o que toda a gente diz, se vê nos olhos e os nossos são assim.
Quando um caixa-d'óculos muda de óculos segue o ritual da operação plástica: que nariz novo agora vou escolher? Aumento o peito e para quanto? Faço uma lipoaspiração? E se, depois, não me reconheço? Hoje, a banalização das plásticas permitiu que grandes franjas do corpo se tivessem tornado amovíveis e modificáveis ao sabor dos ventos. Nós, os caixas-d'óculos precoces, convivemos com isso desde pequeninos. E mudar de corpo, por acaso, não é uma coisa nem tão engraçada nem tão fácil assim.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Wake Up

Vou lá fora lamber a chuva, está bem?