terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Primeiro Dia

Existe na sociedade algo implícito ao casamento que me parece errada.
Tradicionalmente, é o dia mais feliz da nossa vida. Estão lá todos, tiram-nos fotografias e até mostram, tantas vezes, fotografias da nossa vida até então - olhós abraçadinhos, olhós tão bonitinhos quando eram bebés. Uma piroseira pegada em jeito de epitáfio e homenagem...
Mas se fosse o dia mais feliz da nossa vida, garantidamente, para quê continuar a viver?...

A lógica está errada.
Percebo quem olha para o casamento e não o percebe.
E a culpa, meus amigos, é disto tudo, e a culpa disto tudo é da sociedade. E a sociedade somos nós, os outros, e todos juntos.

Há implicitamente na sociedade uma idealização errada do casamento, do dia, não da relação em si.
Simplesmente porque o casamento é retratado como o fim.
Fim da vida de solteiro, fim da infância-juventude, fim do ser sozinho... Daí o Powerpoint manhoso, as presenças daqueles que já não vemos há 10 anos e nada nos dizem, as homenagens constantes ao longo do dia, em jeito de... funeral.

Mas, meus amigos, o casamento não é o fim. É apenas, e só, o início.
Orgulho-me do que o meu foi, porque foi isto, um início. E continua a sê-lo.

E viveram felizes para sempre? Não, não pode ser assim, senão a história acabava aí.
Mas pode ser assim:
- E tentarão tudo, sempre, juntos, para que este início, até àquele fim que é certo de todos, seja sempre feliz.

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