quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cause I'm a Woman

De facto, o MEC às vezes acerta na mouche. E é homem!... (negritos meus)


A Mulher Portuguesa Tem um Bocado de Pena dos HomensA mulher portuguesa não é só Fada do Lar, como Bruxa do Ar, Senhora do Mar e Menina Absolutamente Impossível de Domar. É melhor que o Homem Português, não por ser mulher, mas por ser mais portuguesa. Trabalha mais, sabe mais, quer mais e pode mais. Faz tudo mais à excepção de poucas actividades de discutível contribuição nacional (beber e comer de mais, ir ao futebol, etc). Portugal (i.e., os homens portugueses) pagam-lhe este serviço, pagando-lhes menos, ou até nada. 

O pior defeito do Homem português é achar-se melhor e mais capaz que a Mulher. A maior qualidade da Mulher Portuguesa é não ligar nada a essas crassas generalizações, sabendo perfeitamente que não é verdade. Eis a primeira grande diferença: o Português liga muito à dicotomia Homem/Mulher; a Portuguesa não. O Português diz «O Homem isto, enquanto a Mulher aquilo». A Portuguesa diz «Depende». A única distinção que faz a Mulher Portuguesa é dizer, regra geral, que gosta mais dos homens do que das mulheres. E, como gostos não se discutem, é essa a única generalização indiscutível. 

A Mulher Portuguesa é o oposto do que o Homem Português pensa. Também nesta frase se confirma a ideia de que o Homem pensa e a Mulher é, o Homem acha e a Mulher julga, o Homem racionaliza e a Mulher raciocina. E mais: mesmo esta distinção básica é feita porque este artigo não foi escrito por uma Mulher. 

Porque é que aquilo que o Homem pensa que a Mulher é, é o oposto daquilo que a Mulher é, se cada Homem conhece de perto pelo menos uma Mulher? Porque o Português, para mal dele, julga sempre que a Mulher «dele» é diferente de todas as outras mulheres (um pouco como também acha, e faz gala disso, que ele é igual a todos os homens). A Mulher dele é selvagem mas as outras são mansas. A Mulher dele é fogo, ciúme, argúcia, domínio, cuidado. As outras são todas mais tépidas, parvas, galinhas, boazinhas, compreensíveis. 

Ora a Mulher Portuguesa é tudo menos «compreensiva». Ou por outra: compreende, compreende perfeitamente, mas não aceita. Se perdoa é porque começa a menosprezar, a perder as ilusões, e a paciência. Para ela, a reacção mais violenta não é a raiva nem o ódio – é a indiferença. Se não se vinga não é por ser «boazinha» – é porque acha que não vale a pena. 

A Mulher Portuguesa, sobretudo, atura o Homem. E o Homem, casca grossa, não compreende o vexame enorme que é ser aturado, juntamente com as crianças, o clima e os animais domésticos. Aturar alguém é o mesmo que dizer «coitadinho, ele não passa disto…» No fundo não é mais do que um acto de compaixão. A Mulher Portuguesa tem um bocado de pena dos Homens. E nisto, convenhamos, tem um bocado de razão. 

O que safa o Homem, para além da pena, é a Mulher achar-lhe uma certa graça. A Mulher não pensa que este achar-graça é uma expressão superior da sua sensibilidade – pelo contrário, diverte-se com a ideia de ser oriundo de uma baixeza instintiva e pré-civilizacional, mas engraçada. Considera que aquilo que a leva a gostar de um Homem é uma fraqueza, um fenómeno puramente neuro-vegetativo ou para-simpático – enfim, pulsões alegres ou tristemente irresistíveis, sem qualquer valor.

E chegamos a outra característica importante. É que a Mulher Portuguesa, se pudesse cingir-se ao domínio da sua inteligência e mais pura vontade, nunca se meteria com Homem nenhum. Para quê? Se já sabe o que o Homem é? Aliás, não fossem certas questões desprezíveis da Natureza, passa muito bem sem os homens. No fundo encara-os como um fumador inveterado encara os cigarros: «Eu não devia, mas.. » E, como assim é, e não há nada a fazer, fuma-os alegremente com a atitude sã e filosófica do «Que se lixe». 
Homens, em contrapartida, não podiam ser mais dependentes. Esta dependência, este ar desastrado e carente que nos está na cara, também vai fomentando alguma compaixão da parte das mulheres. A Mulher Portuguesa também atura o Homem porque acha que «ele sozinho, coitado; não se governava». O ditado «Quem manda na casa é ela, quem manda nela sou eu» é uma expressão da vacuidade do machismo português. A Mulher governa realmente o que é preciso governar, enquanto o homem, por abstracção ou inutilidade, se contenta com a aparência idiota de «mandar» nela. Mas ninguém manda nela. Quando muito, ela deixa que ele retenha a impressão de mandar. Porque ele, coitado, liga muito a essas coisas. Porque ele vive atormentado pelo terror que seria os amigos verificarem que ele, na realidade, não só na rua como em casa não «manda» absolutamente nada. «Mandar» é como «enviar» – é preciso ter algo para mandar e algo ao qual mandar. Esses algos são as mulheres que fazem. 

O Homem é apenas alguém armado em carteiro. É o carteiro que está convencido que escreveu as cartas todas que diariamente entrega. A Mulher é a remetente e a destinatária que lhe alimenta essa ilusão, porque também não lhe faz diferença absolutamente nenhuma. Abre a porta de casa e diz «Muito obrigada». É quase uma questão de educação. 

A imagem da «Mulher Portuguesa» que os homens portugueses fabricaram é apenas uma imagem da mulher com a qual eles realmente seriam capazes de se sentirem superiores. Uma galinha. Que dizer de um homem que é domador de galinhas, porque os outros animais lhe metem medo? 
Na realidade, A Mulher Portuguesa é uma leoa que, por força das circunstâncias, sabe imitar a voz das galinhas, porque o rugir dela mete medo ao parceiro. Quando perdem a paciência, ou se cansam, cuidado. A Mulher portuguesa zangada não é o «Agarrem-me senão eu mato-o» dos homens: agarra mesmo, e mata mesmo. Se a Padeira de Aljubarrota fosse padeiro, é provável que se pusesse antes a envenenar os pães e ir servi-los aos castelhanos, em vez de sair porta fora com a pá na mão. 

Miguel Esteves Cardoso, in ' A Causa das Coisas '


She's Expensive

Pois de facto, pode dizer-se que sou tudo menos a Cheap Girl.
Depois de um A no Proficiency, merecia, no mínimo, um jantar num dos melhores restaurantes da cidade.

E Bocca connosco.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Listen

Da próxima vez que o meu homme disser que não sei ouvir vou dizer que tive Exceptional em Listening no Proficiency.
Fica sempre bem e é verdade :-)

The Circle of Life

Ouvimos notícias de pessoas que não conhecemos, de mortes e doenças, de coisas tristes, e no entanto, continuamos a adorar a vida.
Por isso cá vai:

Afonso, Duarte, Inês, Vicente, Joana e Mafalda e todos os outros bebés que nasceram este mês mas que não conheço, aproveitem sempre estes minutos que já viveram e todos os outros que vierem.

Só o não vivido deixa um rasto indelével.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Wake up Everybody

Insólito no Trabalho parte II:
Desatar aos pulos dentro de uma cabine da casa-de-banho para ver se acordo de vez.

P.S.- Não, não estava mais ninguém nos WC.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Strange Things

Insólitos no trabalho parte I:

Quando uma estagiária decide falar ao telefone na casa de banho do Trabalho ao mesmo tempo que faz o número dois, e sabendo que alguém (eu) está na cabine ao lado.
Ia escrever o que é que eu ouvia quando estava na cabine, mas achei que era conversa de caca a mais...

Não é normal.

terça-feira, 19 de julho de 2011

(Let's Have A) Party

Às tantas o que eu devia mesmo fazer era dedicar-me à organização de eventos, tipo casamentos, festas da piscina e outros.
Chama-se Socialite, né?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Little Fly

Parece que é mesmo possível começar um dia em cinzento e acabá-lo a rir à gargalhada.
Obrigada, pessoas bonitas!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Just the way you are

Nem por acaso, o fim de semana foi mais ou menos assim.

Imagem daqui

sexta-feira, 8 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

The Adventure

Quando era miúda a minha mãe raramente me castigava. Lembro-me de um só castigo, o pior de todos os tempos, já perto dos 10 anos: "J., como não fizeste não sei o quê, hoje não podes ver o MacGyver". 
Que escândalo! Um ultraje!

Pensava a minha mãe, e muita gente, que o Macgyver só servia para me incutir ideias anti-comunistas naquilo que se pensaria puro entretenimento. 
Não, riposto eu, que hoje sei que o Macgyver foi muito mais importante para o meu crescimento intelectual do que o suposto.

Quando fui de Erasmus e eu e a M. deixámos cair um par de cuecas no páteo abandonado e inalcançável, lembrei-me do Macgyver e fiz um gancho com um clip, uma esfregona e uma vassoura tudo junto. E entre plenas gargalhadas e depois de várias tentativas, as cuecas foram pescadas.
Ontem, quando cheguei a casa com as cordas novas do estendal (ninguém disse que o "felizes para sempre" não tem destas coisas corriqueiras), e sabendo que o P. ia chegar tardíssimo, lancei-me à obra. Com uma mola de um lado para o outro e sem correr sequer o risco de cair num também inalcançável páteo de Lisboa, consegui esticar as cordas, colocar arnéis, e ficar com a satisfação de trabalho bem feito.
E de quem é que eu me lembrei?...

Obrigada, MacGyver, por me fazeres tão desenrascada. 
Por tua causa, acredito sempre que é possível.

P.S.- Dava-me jeito um canivete suíço, sim?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tempestade

Ando tão desmotivada com o meu país e os outros...

"Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos."
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário III