quinta-feira, 7 de julho de 2011

The Adventure

Quando era miúda a minha mãe raramente me castigava. Lembro-me de um só castigo, o pior de todos os tempos, já perto dos 10 anos: "J., como não fizeste não sei o quê, hoje não podes ver o MacGyver". 
Que escândalo! Um ultraje!

Pensava a minha mãe, e muita gente, que o Macgyver só servia para me incutir ideias anti-comunistas naquilo que se pensaria puro entretenimento. 
Não, riposto eu, que hoje sei que o Macgyver foi muito mais importante para o meu crescimento intelectual do que o suposto.

Quando fui de Erasmus e eu e a M. deixámos cair um par de cuecas no páteo abandonado e inalcançável, lembrei-me do Macgyver e fiz um gancho com um clip, uma esfregona e uma vassoura tudo junto. E entre plenas gargalhadas e depois de várias tentativas, as cuecas foram pescadas.
Ontem, quando cheguei a casa com as cordas novas do estendal (ninguém disse que o "felizes para sempre" não tem destas coisas corriqueiras), e sabendo que o P. ia chegar tardíssimo, lancei-me à obra. Com uma mola de um lado para o outro e sem correr sequer o risco de cair num também inalcançável páteo de Lisboa, consegui esticar as cordas, colocar arnéis, e ficar com a satisfação de trabalho bem feito.
E de quem é que eu me lembrei?...

Obrigada, MacGyver, por me fazeres tão desenrascada. 
Por tua causa, acredito sempre que é possível.

P.S.- Dava-me jeito um canivete suíço, sim?

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