quarta-feira, 14 de março de 2012

Mahler: Symphony No. 5, Adagietto

Há 14 anos era Verão, estávamos em casa do Paul e da Jeanette, algures na Bretanha, e acordámos as duas a ouvir uma música, às 7 da manhã.
Era o despertador que tinha tocado, naquele quarto que não era nosso, com um vinil de um pôr do sol e de palmeiras. E mesmo assim foi provavelmente dos mais bonitos despertares que já tive.
Ouvimos a música aconchegadas na cama e, antes de desligarmos o rádio para adormecer novamente, tentámos perceber o radialista francês que referia uma música qualquer de Dvorak (provavelmente falava da música que iria passar a seguir, mas não nos apercebemos na altura).
Depois quando acordámos, confirmámos entre as duas que não tinha sido um sonho e partimos em busca de uma música única, que seria de Dvorak.
Ouvimos todo o reportório do compositor (vá, quase todo), e nunca chegámos a ter certezas de ter descoberto A música. Ainda andei muito tempo inconformada, incerta de que tivéssemos descoberto a composição... seria mesmo Dvorak? Será que tínhamos percebido mal? Mas os anos foram passando e nunca mais pensámos nisso.

Hoje, por acaso, recebi um email sobre o Adagietto do Mahler e decidi ir ouvir, porque desconhecia.
E ao primeiro som, lá estava ela. A minha música de há 14 anos.

"Diz-se que quando o compositor Gustav Mahler se apaixonou pela bela Alma Schindler, em vez de se declarar por viva voz ou por carta, enviou-lhe uma música sua, sem palavras, designada "Adagietto". Alma recebeu a partitura, tocou-a ao piano e, compreendendo pela beleza da música o alcance da intenção, pediu ao compositor que viesse ter com ela para aceitar a sua declaração de amor tão apaixonada e sensível."

Ainda há coisas bonitas.

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