Eu que nunca participo em passatempos, ontem senti-me desafiada quando li num blog que bastava escrever sobre liberdade e sobre uma música que no-la fizesse lembrar.
Se ganhar, dou os phones ao marido.
Se não ganhar, pelo menos escrevi verdade verdadinha sobre liberdade.
Ora aqui vai disto:
Na semana passada estive no hospital, durante seis dias.
Eu, uma rapariga normal e saudável, que nunca tinha tido nada, fui parar ao hospital.
E depois da parte chata das dores e quando já só aguardávamos para ver se não me dava o treco outra vez, pensei nesta música ( Ain't Got No, I Got Life).
Há uns anos, antes de casar, mas quando já vivia com o meu (agora) marido, celebrámos um Ano Novo sui generis.
Jantámos em casa, simplesmente, com o "nosso" maior e melhor amigo.
Foram copos, foi conversa, e muito perto da meia-noite, foi música que ouvíamos aleatoriamente tentando enquadrar a escolha.
E do nada, à meia noite em ponto, lá estava ela, a nossa Nina Simone.
Não sei se foi dos copos (talvez) ou simplesmente porque estávamos verdadeiramente felizes, mas agarrámos as mãos os três e em vez de comermos passas dançámos e cantámos: "Ain't got no, I Got life, I got my freedom"...
E fomos livres.
Na semana passada, voltei àquele momento de verdadeira liberdade. Estava sozinha a ouvir música e o meu iPod iluminou o silêncio do quarto do hospital.
I've got life.
Ser livre às vezes é tão só lembrar-se do que é bom e viver.
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