quarta-feira, 3 de outubro de 2012

I Know you care

Tenho andado muito caladinha, porque a C. tem cancro da mama.
É minha amiga, colega de trabalho, da secretária mais perto da minha, e tem cancro da mama.
E se bem que dizem que o cancro da mama, já não é bem cancro, e que é tratável, e que é chato mas passa, qualquer um sente o chão a fugir-lhe dos pés.

Eu sei o que é passar por biópsias, marcadores tumorais, ressonâncias magnéticas e outros exames sem fim, mas nem imagino o que é ter um cancro. No meu caso nunca sequer foi um cenário provável que aquilo que tinha (no útero e depois no ovário) fosse uma neoplasia que pudesse resultar em tumor.
Mas sei que é algo profundamente aterrador e só.

A C. contou a toda a gente, porque achou que tinha de contar e porque vai de baixa amanhã, para só voltar depois de ser operada (na próxima semana) e talvez só depois do primeiro ciclo de quimio, que ainda não sabe se vai ter de fazer.

O resultado dá em telefonemas por todos os lados e vocabulários estranhos que passaram a fazer parte do meu local de trabalho: IPO, mastectomia, radioterapia, CA, quimioterapia, biópsia extemporânea...
Sinceramente acho que a C. fez bem em contar - eu também contei que tinha um quisto depois de ser internada. Mas nunca contei a ninguém aqui no trabalho o porquê de ter um quisto.
Excepto à C.

Talvez por isso me custe tanto agora a impotência de não a poder ajudar.
Tenho em contrapartida a absoluta convicção que vai correr bem, que a vida às vezes é muito tramada, mas que no fim vale a pena.

Agora escrevo que a C. vai curar-se.
Daqui a uns tempos, vou escrever que se curou.
Eu sei.

I know you care, I know I care.

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