terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Henehene Kou ʻAka

Do que a crise nos ensina.
Que o dinheiro não é tudo.
E que somos muitos a pensar da mesma forma:

"Porque lido diariamente com a fragilidade da natureza humana, tenho algum pejo em queixar-me das voltas que a vida me deu. De estar a ganhar tanto como quando comecei a trabalhar, depois de uma dúzia de anos de tarimba. De no final de cada mês verificar o dinheiro que tenho na conta antes de entrar no supermercado, para não passar vergonhas na caixa. De dar o litro no trabalho todos os dias {sim, que na Função Pública também se trabalha a sério}, e de chegar a casa sem paciência para os que amo e com uma recompensa cada vez menos justa no final do mês.

Tenho pejo em queixar-me, porque há muita gente a viver bem pior do que eu. Tenho uma casa maravilhosa que o meu pai ainda vai ajudando a pagar. Tenho uma família que me almofada a vida sempre que pode. Tenho ao lado o homem da minha vida e os únicos filhos que queria ter.

Mas também tenho medo, caramba. Medo de que haja um dia em que não possa cumprir compromissos. Medo destes cortes a direito que nos entalam a vida. E principalmente, medo de não transmitir aos meus filhos motivação para sonharem e força para concretizarem esses sonhos. Por mais altos que sejam.

Há 15 anos atrás a vida estava mais fácil e limitava-me a seguir-lhe o rasto sem grandes reflexões. E agora que a coisa aperta, agarro-a com unhas e dentes pela primeira vez, e digo-lhe que sou eu que estou na dianteira e que, apesar do medo, arrisco sonhar mais alto do que antes.

É fazer isso, ou morrer de vez."
Daqui:
http://marta-dolcefarniente.blogspot.pt/2014/01/da-minha-nova-tabela-salarial-e-do-medo.html

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