segunda-feira, 17 de novembro de 2014

I lived

Houve uma altura da minha vida em que me tornei mais fria (ainda o sou, confesso, quando o P. está doente como se o mundo fosse acabar, mas com jeito vamos lá!).
Acho que me tornei fria porque precisava: já tinha tido suficientes desilusões. Simplesmente isso.

Quando olho para a E. penso que ela também vai apanhar muitas desilusões. Mas espero que não se torne mais fria. Ou pelo menos que lhe aconteça o que aconteceu comigo. Que um dia, do nada, talvez o dia em que a primeira filha dela nasça, o mundo volte a ter sempre cores. E que viva, cada vez mais. A sério.

De repente, sou mais eu: já não tenho tanto medo (dos outros, mas tenho medo por ela, confesso). Já arrisco mais, já rio, já vivo, já gargalho sem medo de conveniências. Passei a preocupar-me menos com o que os outros acham.
Mas também passei a sentir mais na pele o que me rodeia.
Da bebé do Dubai, a quem doei pela primeira vez. Ao pensar que morreu tenho calafrios.
Da outra miúda de 9 meses que engoliu um gancho e por complicações várias também morreu.
Tento recusar-me a pensar muito nisso,  é difícil.

Mas depois vejo isto, publicado por uma amiga minha cuja filha tem fibrose cística e volto a pensar na força, na coragem e na vontade de viver que é uma obrigação nossa.
A E. fez ontem oito meses.
Que sorte que tenho, que temos, tanto que tenho aprendido.
Aprendes comigo também, filha?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Pásion

Hoje à noite, provavelmente por causa de ter lido este post e de andarmos a falar em mudar de casa (embora eu não esteja preparada para tal), tive um pesadelo.

O P. pedia-me o divórcio e dizia-me que tinha pressa para ter a papelada pronta. Que ia voltar a casar no dia 15 de setembro.

E eu ficava sem chão. Mas, mas, mas...
Mas então e nós?
Mas como és capaz?
Mas então e a E.?
E eu?
E a nossa família?
E o que é que eu vou fazer?
Como é que vou conseguir arranjar dinheiro para ter outra casa?
Sozinha?

E estava assim, aflita, a chorar, os meus pais incrédulos ao saber da notícia....
Sem chão.

Depois a E. começou a chorar e eu levantei-me para ir confortá-la.
Aliviada, muito aliviada, por ser só um pesadelo. Que coisa horrível.

Chupeta reposta, voltei para o quentinho da cama, abracei-o e deixei-me ficar juntinha.
É tão bom ter-te aqui.

"Tengo un corazón ganando
Yo sé que vos me estas escuchando
Con mis lagrimas te quiero
Pasión, sos mi amor sincero

Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos"

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Tiro liro liro

Ela janta.
De repente tosse, linguinha de fora meia dobrada...

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, a miúda vai vomitar......
"cá em cima está o tiro liro liro, lá em baixo está o tiro liro ló"

Ainda nos vamos rir disto.