Houve uma altura da minha vida em que me tornei mais fria (ainda o sou, confesso, quando o P. está doente como se o mundo fosse acabar, mas com jeito vamos lá!).
Acho que me tornei fria porque precisava: já tinha tido suficientes desilusões. Simplesmente isso.
Quando olho para a E. penso que ela também vai apanhar muitas desilusões. Mas espero que não se torne mais fria. Ou pelo menos que lhe aconteça o que aconteceu comigo. Que um dia, do nada, talvez o dia em que a primeira filha dela nasça, o mundo volte a ter sempre cores. E que viva, cada vez mais. A sério.
De repente, sou mais eu: já não tenho tanto medo (dos outros, mas tenho medo por ela, confesso). Já arrisco mais, já rio, já vivo, já gargalho sem medo de conveniências. Passei a preocupar-me menos com o que os outros acham.
Mas também passei a sentir mais na pele o que me rodeia.
Da bebé do Dubai, a quem doei pela primeira vez. Ao pensar que morreu tenho calafrios.
Da outra miúda de 9 meses que engoliu um gancho e por complicações várias também morreu.
Tento recusar-me a pensar muito nisso, é difícil.
Mas depois vejo isto, publicado por uma amiga minha cuja filha tem fibrose cística e volto a pensar na força, na coragem e na vontade de viver que é uma obrigação nossa.
A E. fez ontem oito meses.
Que sorte que tenho, que temos, tanto que tenho aprendido.
Aprendes comigo também, filha?
Sem comentários:
Enviar um comentário