Este blog vai morrer.
Já está a morrer.
A Siena está doente, velhinha. 12 anos já é qualquer coisa. E um tumor é muita coisa.
Vai morrer.
Já não escrevo aqui como escrevia há tempos. Já não preciso.
Houve uma altura em que o blog me ajudou a conspurcar males latentes, a desabafar quando já não queria preocupar mais ninguém, a declarar ao mundo o meu amor quando não podia fazê-lo a mais ninguém.
Nos últimos meses ia mudar de vida e de país e já não vou.
Ia mudar de casa e mudei, e nem escrevi sobre isso e sobre o quão feliz estamos nesta nossa casa nova. Os três.
Ia ser tia novamente e já não vou ser. Pelo menos do bebé que ia ser e afinal não foi.
Achava que nunca conseguiria ter um segundo filho e afinal até pode ser que aconteça naturalmente. Ou não. Mas deixou de ser um drama.
E a Siena vai morrer. Sem dramas.
Não escrevi sobre nada disto provavelmente porque cresci.
Porque ligo a quem preciso, porque danço com o Pedro, porque choro sempre que preciso para no dia seguinte entrar de rompante no nosso quarto, com música e a dançar com a Ema enquanto acordamos o Pedro.
Não escrevo porque estou ocupada a viver.
Porque deixei de ter pena de mim.
Porque olho para trás e relativizo muita coisa.
E porque como escrevi há uns tempos, a vida é o que deixamos de amor.
Não é o que deixamos escrito.
Vou amar a Siena para sempre.
Vou levá-la para morrer com a dignidade que merece.
Vou agradecer-lhe tudo o que me deu.
E quando ela morrer, este blog ficará como as memórias que escrevi com o nome dela.
Se quiserem saber de mim, vou estar por aí a viver.
A Vida toda.
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