Este blog vai morrer.
Já está a morrer.
A Siena está doente, velhinha. 12 anos já é qualquer coisa. E um tumor é muita coisa.
Vai morrer.
Já não escrevo aqui como escrevia há tempos. Já não preciso.
Houve uma altura em que o blog me ajudou a conspurcar males latentes, a desabafar quando já não queria preocupar mais ninguém, a declarar ao mundo o meu amor quando não podia fazê-lo a mais ninguém.
Nos últimos meses ia mudar de vida e de país e já não vou.
Ia mudar de casa e mudei, e nem escrevi sobre isso e sobre o quão feliz estamos nesta nossa casa nova. Os três.
Ia ser tia novamente e já não vou ser. Pelo menos do bebé que ia ser e afinal não foi.
Achava que nunca conseguiria ter um segundo filho e afinal até pode ser que aconteça naturalmente. Ou não. Mas deixou de ser um drama.
E a Siena vai morrer. Sem dramas.
Não escrevi sobre nada disto provavelmente porque cresci.
Porque ligo a quem preciso, porque danço com o Pedro, porque choro sempre que preciso para no dia seguinte entrar de rompante no nosso quarto, com música e a dançar com a Ema enquanto acordamos o Pedro.
Não escrevo porque estou ocupada a viver.
Porque deixei de ter pena de mim.
Porque olho para trás e relativizo muita coisa.
E porque como escrevi há uns tempos, a vida é o que deixamos de amor.
Não é o que deixamos escrito.
Vou amar a Siena para sempre.
Vou levá-la para morrer com a dignidade que merece.
Vou agradecer-lhe tudo o que me deu.
E quando ela morrer, este blog ficará como as memórias que escrevi com o nome dela.
Se quiserem saber de mim, vou estar por aí a viver.
A Vida toda.
You Walked Right In
sexta-feira, 21 de julho de 2017
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Não é verdade
Chorei muito.
Incrédula.
Como é que podia sentir um misto de emoções tão grande?
Como é que é possível estar simultaneamente e genuinamente feliz por outros e tão triste por não me poder rever no mesmo cenário?
Falei nisso e simultaneamente fechei-me em copas.
Não fingi que estava tudo bem, mas continuei a andar para a frente.
Primeiro a Ema começou a acordar (sentiu?).
Depois veio o meu corpo a dar de si.
Às vezes o corpo obriga-nos a parar.
O meu obriga-me a reconhecer que não, não está tudo bem.
Mas a alma recusa-se a desistir. A chorar demais, se houver demais.
Corpo, a vida explica-se a ela própria e daqui a uns meses ou anos vou olhar para isto ainda de coração pequenino.
Mas estará cheio.
Incrédula.
Como é que podia sentir um misto de emoções tão grande?
Como é que é possível estar simultaneamente e genuinamente feliz por outros e tão triste por não me poder rever no mesmo cenário?
Falei nisso e simultaneamente fechei-me em copas.
Não fingi que estava tudo bem, mas continuei a andar para a frente.
Primeiro a Ema começou a acordar (sentiu?).
Depois veio o meu corpo a dar de si.
Às vezes o corpo obriga-nos a parar.
O meu obriga-me a reconhecer que não, não está tudo bem.
Mas a alma recusa-se a desistir. A chorar demais, se houver demais.
Corpo, a vida explica-se a ela própria e daqui a uns meses ou anos vou olhar para isto ainda de coração pequenino.
Mas estará cheio.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Se Me Deixasses Ser
Ontem tive a confirmação de algo que já sabia há muito: ter a Ema foi um pequeno milagre.
Ter acontecido naquela altura de forma espontânea. Foi um pequeno milagre.
Voltei para casa em paz. Talvez com mais vontade que um novo milagre - mas já não tão milagre assim - aconteça.
Que se lixe o dinheiro, que se lixe o trabalho, que se lixe o cansaço (há-de cansar tanto mais).
A vida é o que deixamos de amor. E o que levamos de coração cheio.
E talvez por isso, acordei as vezes que foi preciso para te dar conforto, querida Ema. E com muito mais paz do que há muitos dias.
A vida é o que deixamos de amor.
Ter acontecido naquela altura de forma espontânea. Foi um pequeno milagre.
Voltei para casa em paz. Talvez com mais vontade que um novo milagre - mas já não tão milagre assim - aconteça.
Que se lixe o dinheiro, que se lixe o trabalho, que se lixe o cansaço (há-de cansar tanto mais).
A vida é o que deixamos de amor. E o que levamos de coração cheio.
E talvez por isso, acordei as vezes que foi preciso para te dar conforto, querida Ema. E com muito mais paz do que há muitos dias.
A vida é o que deixamos de amor.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Hallelujah
10 anos.
Há dias em que me parece que há minutos
fechei o computador e me deste um beijo. Finalmente. [Sempre fui impaciente.
Tive de aprender a esperar. Ainda tenho de aprender a esperar]
Há dias em que me parece que foi há
décadas [uma] que fomos juntos a Itália, que passei a ponte pela primeira vez a
pé e conheci a tua mãe.
10 anos.
Não sei onde foram parar, exceto que
estão bem aqui, em tudo. Nas nossas gargalhadas, nas nossas danças a qualquer
hora na sala, na nossa casa que vamos vender, no futuro que deixámos de querer
suspender, na Ema que se tornou parte de nós e até nas crises, no atirar feio
de meias por motivos estúpidos, porque precisávamos (também) de conhecer os
nossos limites.
10 anos.
Viajámos para sítios que não
conhecíamos, conhecemos os nossos corpos quase de cor. Crescemos os dois.
Crescemos os três. Crescemos os quatro [um dia].
Não é muito. Não é pouco.
É tudo e o futuro. Infinité.
Já não sei adormecer sem ti.
Hallelujah.
Já não sei viver sem ti.
Hallelujah.
10 anos.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
The Music of the night
Hoje é um dia em que posso durante uns breves momentos ter pena.
Vai mudar tudo na mesma. Há-de mudar para melhor na mesma.
Mas não como já começavamos a sonhar.
Talvez seja de facto altura de nos tornar-nos mais uma família pacata dos subúrdios.
Que não está bem, mas também não está mal.
Haveremos de pensar sempre que podíamos ter ido.
Mas haverei de valorizar também a riqueza do facto de que ter a familia e os amigos por perto é uma escolha que não tive de fazer.
O problema agora é não ter tido que escolher.
Só hoje.
Amanhã vai ser melhor.
E com algo muito mais importante do que uma mera mudança de país.
Exceto que "mera" também não é bem verdade.
Vai mudar tudo na mesma. Há-de mudar para melhor na mesma.
Mas não como já começavamos a sonhar.
Talvez seja de facto altura de nos tornar-nos mais uma família pacata dos subúrdios.
Que não está bem, mas também não está mal.
Haveremos de pensar sempre que podíamos ter ido.
Mas haverei de valorizar também a riqueza do facto de que ter a familia e os amigos por perto é uma escolha que não tive de fazer.
O problema agora é não ter tido que escolher.
Só hoje.
Amanhã vai ser melhor.
E com algo muito mais importante do que uma mera mudança de país.
Exceto que "mera" também não é bem verdade.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Hallelujah
Às vezes, acho que a Sofia escreve de forma demasiado lamechas.
Mas às vezes, também acho que escreve "au point". Como se adivinhasse.
"todos os dias faço questão de dizer a mim mesma:
mesmo quando não parece, a vida conspira a teu favor. vai lá. e acredita. sempre. - ❥-"
Mas às vezes, também acho que escreve "au point". Como se adivinhasse.
"todos os dias faço questão de dizer a mim mesma:
mesmo quando não parece, a vida conspira a teu favor. vai lá. e acredita. sempre. - ❥-"
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Changes
A nossa vida vai mudar. Mesmo no fim do ano, uma vida nova.
Ainda está tudo em suspenso, ainda pode ser muita coisa.
Algo vai mudar e ainda pode ser uma de três coisas. Ou várias ao mesmo tempo.
E eu balanço entre o entusiasmo (quem não arrisca não petisca) e o medo de sair da zona de conforto.
Vamos reinventar-nos. E precisamente quando fizermos 10 anos que estamos juntos.
Não foi propositado. Nada disto foi propositado.
E o mais bonito é ver-te assim.
Sempre sempre sem medo, convencido que será tudo pelo melhor.
Se não fosses tu, nada disto fazia sentido.
Ainda está tudo em suspenso, ainda pode ser muita coisa.
Algo vai mudar e ainda pode ser uma de três coisas. Ou várias ao mesmo tempo.
E eu balanço entre o entusiasmo (quem não arrisca não petisca) e o medo de sair da zona de conforto.
Vamos reinventar-nos. E precisamente quando fizermos 10 anos que estamos juntos.
Não foi propositado. Nada disto foi propositado.
E o mais bonito é ver-te assim.
Sempre sempre sem medo, convencido que será tudo pelo melhor.
Se não fosses tu, nada disto fazia sentido.
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