Ao almoço, a conversa desembocou, de repente, na questão dos presentes que os miúdos recebem quando acabam o ano escolar. Nunca recebi, e quando tiver filhos eles também não vão receber.
É uma questão de princípio: nenhuma recompensa material deve superar o orgulho de ter aprendido.
Uma obrigação deve e pode tornar-se num prazer.
Depois lembrei-me que houve duas vezes em que fui premiada pelas minhas boas notas. Duas vezes em que não sabia sequer da existência desses prémios e tive a sorte de eles virem ter comigo. Não tive boas notas para ganhar uma "ganda bicicleta". Aprendi e, por acaso, tive boas notas e isto porque sempre fui boa a aprender, modéstia à parte, e sempre gostei de aprender, o que é meio caminho andado.
Mas foi bom lembrar que há onze anos embarquei numa viagem ao Brasil graças à minha vontade de aprender. Onze anos depois, a T., o A. e o D. continuam a fazer parte do meu pequeno círculo de grandes amigos.
E foi bom lembrar que, três ou quatro anos depois, recebi uma carta que me oferecia uma bolsa de mérito a que eu nem sequer sabia que podia ter direito. Assim fiz um interail a dois, de Portugal até à Holanda.
Aprender compensa.
Ser bom compensa e não é porque ganhamos necessariamente mais dinheiro com isso.
Se eu não tivesse aprendido, a T. não tinha ido ao meu casamento, o A. não era um amigo de todos os momentos (e isto é recíproco) e o D. era só o nerd português que anda por Berkeley.
Isto é mais importante que dinheiro.
Se eu não tivesse aprendido, não sabia o que sei hoje e não continuava a aprender.
Aprender compensa.
O que é maravilhoso, quando se acompanha uma filha no seu crescimento, é sentir que os nossos valores profundos se tornam eternos... (eu sempre disse que os filhos são uma garantia de eternidade). E ainda por cima, aproveitamos também para continuar a aprender come eles (nem que sejam coisas simples de taralhoca, como não saber postar um comentário num blog....)
ResponderEliminarOntem, em conversa conjugal, sobre a vida e a morte, eu dizia que se morresse amanhã não lamentava nada, a não ser a tristeza de não poder continuar a gozar da alegria e do prazer de viver, de partilhar a minha vida com quem amo ... e de aprender todos os dias. Será isso que se chama o sentido da vida?
Quem escreve assim não é gago, é minha mãe.
ResponderEliminarTens razão quando dizes que é recíproco: não só a partilha dos momentos, como também a opinião sobre o tema. A verdade é que a ideia de que só trabalhamos para uma recompensa é uma espécie de adultério e que o prazer de ter uma recompensa desconhecida (e que, no nosso caso, se prolonga no tempo com fortes laços de amizade) é francamente maior.
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