quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Hymn à l'amour

Há declarações de amor lamechas. E depois há estas.

«Quando sair este jornal, a Maria João e eu estaremos a caminho do IPO de Lisboa, à porta do qual compraremos o PÚBLICO de hoje. Hoje ela será internada e hoje à noite, desde o mês de Setembro do ano passado, será a primeira vez que dormiremos sem ser juntos.

O meu plano é que, quando me expulsarem do IPO, ela se lembre de ir ler o PÚBLICO e leia esta crónica a dizer que já estou cheio de saudades dela. É a melhor maneira que tenho de estar perto dela, quando não me deixam estar. Mesmo ficando num hotel a 30 passos dela, dói-me de muito mais longe.

O IPO consegue ser uma segunda casa. Nenhum outro hospital consegue ser isso. Podem ser hospitais muito bons. Mas não são como uma casa. O IPO é. Há uma alegria, um humor, uma dedicação e uma solidariedade, bem-educada e generosa, que não poderiam ser mais diferentes da nossa atitude e maneira de ser - resignada, fatalista e piegas - que são o default institucional da nacionalidade portuguesa. É graxa? Para que tratem bem a Maria João? Talvez seja. Mas é merecida. Até porque toda a gente que os três IPO de Portugal tratam é tratada como se tivesse direito a todas as regalias. Há muitos elogios que, não obstante serem feitos para nos beneficiarem, não deixam de ser absolutamente justos e justificados.

Este é um deles. Eu estou aqui ao pé de ti. Como tu estás ao pé de mim. Chorar em público é como pedir que nada de mau nos aconteça. É uma sorte. É o contrário do luto. Volta para mim.»
Miguel Esteves Cardoso, in Público

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Je ne regrette rien

Há expressões que em francês são mais doces:
Petit à petit l'oiseau fait son nid.

Agora a linha é sempre a subir.
Até um dia voltar a descer.
Mas é assim que eu gosto das coisas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Arrival of the Birds

Às músicas bonitas, ao amor, aos amigos, e a tudo.


TRAILER :: LIDIA + RICARDO   ( HD + SUPER8 ) from Edu Corrêa on Vimeo.

(a Lídia casou e fez isto. Tão bonito :))

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Each day gets better

Tudo começa a compor-se.
Tirei os dois cisos, tenho homens desde hoje de manhã a mudar-me o telhado e os velhinhos começam também eles a compor-se.
Já era tempo disso.

Agora eu gostava mesmo, se não fosse pedir muito, era de poder comer massa, esparguete, fusilli, batatas fritas, arroz, um bom bife de lombo com cogumelos, pipocas, cenouras e tudo fechado com um bom copo de vinho e depois Moscatel Roxo. Sei que já não falta muito para largar os purés e as papas, mas hoje estou cheia de fome.

(suspiro, mas sabendo que vai tudo correr bem)
E ter perdido 3 quilos também não me fez mal nenhum....

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Running on sunshine

Nunca pensei que as dores de dentes fossem assim.
Isto, a somar ao azar de ter ficado com imunidade em baixo, o que causou uma crise de aftas e uma úlcera na bochecha, não tem ajudado.
E mais ainda, surpreende-me que o estado da tecnologia médica de hoje em dia não permita ainda que haja um comprimido milagroso que leve todas as dores agoniantes. Nem que fosse preciso dormir o dia todo... não há nada.

Mas hoje está um dia de sol, é o primeiro dia em que me sinto verdadeiramente a ficar melhor - embora saiba que grande parte da melhoria é devida ao efeito da mistura de analgésicos que tenho tomado - e tenho-te tido sempre ao meu lado.

Às vezes esqueces-te que não posso falar e tenho acessos de fúria porque não percebes sempre os meus gestos. E depois arrependo-me porque tens estado sempre sempre cá.

Logo à noite, quer tire os cisos às 18h30 quer não, vou estar agarradinha a ti. E isso põe-me logo melhor.
Pois é, porque eu tenho uns cisos que são uma merda, mas tenho um grande amor.
E esta, hein?

terça-feira, 15 de novembro de 2011

The Battle of Stirling

Devo ser a única a fazer analogias entre o que se passa na minha boca e uma gigantesca batalha campal.
Gostava que fosse como a batalha de Stirling, do Braveheart, em que as minhas células lutam pela sua liberdade.
Mas neste momento, parece-me mais D-day, das cenas iniciais do desembarque nas praias da normandia, tal como o Spieldberg as retratou. Quem tiver coragem de ver, vá ver aqui.

Eu cá vou acreditar que o meu William Wallace vai erguer-se desta batalha assim:

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Another one bites the dust

Prometo que nunca mais digo que as dores de dente de siso são para meninos.
Depois de um fim-de-semana inesquecível, cheíssimo de dores, hoje a dentista disse-me que "não admira que tenha dores, coitada, tá aqui com isto tudo inflamado e não é um siso, são os dois sisos da direita".
Basta o efeito dos analgésicos passar e é ver-me de lágrimas, a querer subir paredes e a pensar em todas as asneiras.

Tomo mais analgésicos, pain-killers é expressão mais apropriada, e tento não me babar, mas é difícil.
Sorte mafarica.

P.S - Ainda assim, nada apaga os momentos de carinho com o meu avô, no hospital. Dei-lhe o lanche e dava todos os dias se pudesse.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fantasy

O meu homem tem uma fã. :-D

"TERÇA-FEIRA, NOVEMBRO 1

shuac
rapaz giro que corres na Lapa, obrigada por teres reanimado imensas coisas no meu organismo. o inverno ainda mal começou e tenho tantas tardes de domingo por preencher. diz-me como te poderei retribuir."
in Lady oh my dog

Pena (ou não), que não seja o único homem que corre na Lapa.

Elle me dit

Comecei a reparar em alguns tiques meus, quando estou menos bem.
Nervosa, começo a cantarolar qualquer coisa e a pular levemente, mas sem dançar.

Quando começo a ficar mesmo preocupada com alguma coisa, arranjo uma música fetiche, pop, para dançar non stop e em repeat. Em Fevereiro, foi o Marry Me, desta vez, é o Elle me dit.
O clip é fabulosamente kitsch. A música nem interessa, mas depois de o ver quero é dançar. E ser a Fanny Ardant daqui uns a 20 anitos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fuck you (em modo Cee Lo Green)

À pessoa que roubou o meu avô não desejo nada, mas se fosse a um certo sítio, era merecido.
Que vergonha.
E agora avôzinho vamos mas é mostrar a essa pessoa que o dinheiro não é tudo, sim?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Waiting for the world to change

Desde sexta-feira, que ando com um mau pressentimento. Afasto-o e volta sempre.
No sábado, disseste-me que o avô se tinha sentido muito mal durante a noite mas que continuava a querer não ser internado.
Afasto-o outra vez, mas fico a pensar que já não vejo o avô já tanto tempo, e é sempre tão pouco quando o vejo. Tive de dizer ao P. que no fim-de-semana queria ir ao Porto, se o avô fosse de facto internado.
E hoje, logo depois de ter dito isto, pimbas, o avô cai no meio da rua, desmaiado, acordando depois desnorteado.
Se hoje for para o hospital, a vaca pode tussir o que tussir, o telhado até pode cair, mas vou vê-lo. No fim-de-semana, ou até antes, quem sabe.

John Mayer, podes parar de esperar. O mundo não muda mesmo.
Haverá sempre problemas, sempre pessoas que não estão bem. Sempre haverá guerras, e fome e morte.
Haverá velhinhos a morrer, e até pessoas das novas.
Gostávamos que não fosse assim.

Mas também haverá sempre amor, família, amigos e arco-íris no fim da estrada.
E preferimos que assim seja.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Feels like tonight

It feels like tonight I can't believe I'm broken inside.

Com os anos, as discussões deixam-nos mais amargos, mais sérios, mais desgastados. Antigamente discutia com alguém, dava uns berros, chorava umas lágrimas nem que fosse de frustração e depois estava tudo bem e andava para a frente.

Não, não foi com o P. que discuti. Tudo menos isso.
Felizmente, estamos nisto juntos. Nesta nossa batalha por melhorar a nossa casinha e em acreditar que as coisas vão correr bem.

Nem sempre os outros têm de enganar-nos, de esquecer-se de nós e de nos tentar esmagar com mentiras. Nem sempre as coisas têm de atrasar, em dias de bom tempo, e logo quando o dinheiro está empatado do outro lado.

Nunca devia deixar as coisas afectarem-me assim, estas tão sem importância.
Ninguém morre, ninguém está doente e tenho um amor maior que o mundo. E que está cá para me dizer que vai tudo correr bem. Que sim, que as coisas vão resolver-se.

Mas às vezes custa tanto ser adulta num mundo ao contrário...
Não havendo forma de controlar ou mudar a situação, devia mudar de atitude.

Meditar ou chorar?... Ou dançar?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Up on the roof



A música é no mínimo contraditória para quem tem passado muito tempo a preocupar-se com o dito cujo Telhado. Estes senhores não tinham  litros de água em casa por causa do dito cujo, não. Mas enfim, dou a desculpa, que o Sr. M. até é rapaz para ser deste tempo e o melhor é mantê-lo feliz e não contradizer muito para ver se se despacha com o trabalhinho.
E depois, fica prometido, "I'll get away from the hustling crowd, and all that rat-race noise down in the street (up on the roof). On the roof, the only place I know, where you just have to wish to make it so".

Vá, bora lá, Let's go up on the roof

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Your Song

Há manhãs que deviam começar sempre assim. Mesmo que com chuva.