quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

My man

Estava-se no ano de 2006 e tu entraste pelo meu gabinete adentro, todo contente.
"-Então que tal?".
Soltei uma gargalhada. De repente, já não eras aquele rapaz jeitoso, designer do apartamento ao lado, discreto qb, que se dizia que estava interessado em mim (mas eu achava que não!). Vi quadradinhos em lugar de óculos.
"Ficam-te bem! Mesmo bem! Mas olha lá, vais usá-los todos os dias?".
"Claro que vou!"
E aí apercebi-me que podia ser mal interpretada.
Os óculos eram fortes, muito e na minha ingenuidade achei que te podias cansar rápido deles, se os usasses todos os dias. Depois percebi que eram uma imagem de marca.

Beijei esses óculos, espantei-me da primeira vez que dormiste comigo e os tiraste ("ena, que olhos tão grandes!"). Casei com esses óculos. E assim passaram cinco anos.
Depois de há uns meses para cá, começaste a falar em mudar, que já estava na altura, que os quadradinhos estavam velhos e etc e tal. Fui muito muito muito reticente.
Mas mudaste ontem. Mudaste de imagem de marca, completamente, como quando a TMN mudou do "mais perto do que é importante" para o simples T.
Desta vez já estava preparada, ajudei-te a escolher depois da minha negação inicial que recusava ter um homem sem quadradinhos. E no entanto, também a mim eles me causam estranheza e surpresa.
Quando olho para ti, distraída, sorrio, ao lembrar-me que estás diferente.
 E que estás melhor, mais sorridente, completo. Porque não são os óculos que te fazem, és tu quem faz os óculos.
Perguntei na mesma, só para ouvir a resposta: "olha lá, mas vais usá-los todos os dias?"
E, redondos, os teus óculos sorriram.

Sem comentários:

Enviar um comentário