sexta-feira, 11 de maio de 2012

Alice

Roubando os créditos à minha mãe, há pessoas que naturalmente fazem parte das nossas vidas.

Estou incrédula e de luto, talvez estejamos quase todos os que têm o luxo de ter bom gosto (com todas as modéstias à parte).

Não houve um concerto dele, ou com ele, que não fosse apaixonante - e não estou em exageros post mortem. É mesmo verdade.

Sei que ando uma lamechas de todo o tamanho, mas mesmo antes de estar assim como estou agora, já o Bernardo me fazia chorar.
Não há muita música que produza este efeito em mim.
Talvez, o Camané, também (e também ele cantou com o Sassetti).

A imortalidade está nestas músicas brilhantes.
A frustração e a tristeza está no que poderia ter sido e nunca será, porque morreu.

Acompanhar-me-á para sempre. A sua Alice, o seu piano dos Três pianos, o Indigo das suas mãos, tudo.
Mas já não o vou ver em concerto, atirando a melena para trás, improvisando ao sabor do momento.

Vou ter saudades.

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