segunda-feira, 7 de maio de 2012

Restolho

Da crueldade de viver para si:

Está a morrer.
Agora já não é provável, é certo, porque quando os órgãos começam a falhar, é porque se está mesmo a morrer.

Tenho a certeza de que se hoje o deixassem provavelmente faria a sua vida de forma diferente.
Daria mais aos seus filhos, e espero que à sua mulher.

E não viveria na pele a dor maior do abandono.

Porque até podemos estar ao seu lado, o meu pai está sempre ao seu lado, mas vai morrer sozinho.
E sabe bem lá no fundo que podia ter sido diferente.

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