quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sooner or Later (parte II)

Antes de começar a trabalhar mesmo a sério, pensei hoje que tinha de escrever sobre isto.
Em jeito de fecho.

A verdade é que hei-de escrever sobre as férias maravilhosas, mas agora importa-me escrever sobre isto.
É como de costume,  gosto de falar sobre as coisas quando as fecho, porque agora mesmo que eu as diga, mesmo que alguém que não devia as saiba, já não impacta em nada.

Durante uns meses, eu e o P. decidimos tentar ter um filho.
Sempre quisemos ter filhos, e queremos ainda, e fazia parte dos nossos projetos.

Não foi muito tempo, há casais que demoram muito muito tempo e tínhamos a noção disso.
Eu mais, talvez por saber que à partida não sou "muito normal" e que podia/ia levar o seu tempo.

Tivemos de recorrer a ajuda, e deu mal resultado: um quisto chato, enorme que só agora está a ficar mais pequeno.
E durante o quisto, nada feito, nem bebés, nem outras muitas coisas que me roubaram um pouco do ser eu. E do sermos nós.

Foi muito difícil, não vou mentir.
Havia culpabilização, stress, medo, todos os factores onde não deve haver um filho, e onde se batalha todos os dias para manter firme uma relação.
Até podem dizer que isto fortalece os casais, que fortalece - provavelmente são períodos destes que nos mandam para o limiar do "ou resulta mesmo, ou é agora que se vai ver".
Mas garanto por experiência própria que ninguém merece. Crescemos muito rápido, porque assim nos é exigido e não há outra hipótese.

E na maioria das vezes, é uma coisa só. Até se pode falar com várias pessoas - e no meu caso depois de se saber que tinha o quisto não valia a pena esconder o porquê às pessoas mais próximas.
 Mas é uma batalha do casal, extremamente sozinha. E não há maneira de assim não o ser.

Com o tempo as coisas mudam, mas demora muito tempo.
A dada altura, deixamos de ter pena para aproveitar outras tantas coisas e entusiasmamo-nos por ser "tios emprestados", aproveitamos a vida de casal, as grandes viagens que ainda podemos fazer; e aprendemos acima de tudo a falar um com o outro.

Pela primeira vez, ontem, foi-me traçado um caminho e há-de fazer um ano desde que tomámos a decisão de tentar ter um filho.
O caminho em si pacificou-me. E saber que nos próximos tempos, os filhos vão parar de ser um projeto não me assustou tanto quanto aquilo que esperava.
Preparamo-nos os dois para continuar a ser um casal tranquilo, para namorarmos mais, viajarmos cada vez mais, assistir às mudanças dos casais à nossa volta. E provavelmente isso também faz parte.

Para já, somos os dois, um dia seremos três, quatro, ou então continuaremos a ser os dois até sermos velhinhos numa casa com lareira e cheia de gatos.
Agora isso não importa, porque é muito cedo, temos muito tempo, mesmo que o tempo passe num instante.

A partir de hoje, paro de falar no quisto, como vou parar de pensar em filhos.
E a sensação de fecho é simplesmente extraordinária.

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