Ontem fui a um jantar de amigos daqueles que já não são bem amigos, que foram há muito tempo, mas que continuamos a insistir em ver.
Fui sozinha e sem os meus queridos "bengalas" (o A. e a T.) que desta vez não puderam vir, esses sim amigos de sempre com quem acabo por me sentir menos sozinha no meio do grupo destes mais ou menos amigos.
No início, pensei "isto vai correr mal, estou sem pachorra, já estão a começar a conversa da treta do costume".
Depois, respirei fundo, pensei "J. sê tu, faz favor Tu sabes ser social, só que andas a desaprender e isso não é bom".
E correu muito bem.
Gostei, conversei muito com quem já não conversava há muito tempo, fui simpática com estes mais ou menos amigos e fui para casa contente e feliz.
Disse-me o D. que ninguém diria dos meses tremendos que passei.
E depois de lhe falar da Tailândia e do Cambodja ele que é matemático ilustrou com a mão a curva sempre a subir.
Diz que se nota :-)
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
A casa
Ontem, ao chegar a casa, respirei fundo e tive direito ao perfume das casas que as faz acolhedoras e boas. Talvez fosse porque tinha as janelas fechadas, por causa do calor, não sei bem.
Era um cheiro de casa, mistura de madeiras e cheiros nossos, dos bons.
Acho que finalmente me reconciliei com a minha casinha, pensei.
E assim foi, pedi-lhe desculpa, toquei nas traves que há pouco tempo tratei e disse-lhe: My dear, "I think this is the beginning of a beautiful friendship".
Era um cheiro de casa, mistura de madeiras e cheiros nossos, dos bons.
Acho que finalmente me reconciliei com a minha casinha, pensei.
E assim foi, pedi-lhe desculpa, toquei nas traves que há pouco tempo tratei e disse-lhe: My dear, "I think this is the beginning of a beautiful friendship".
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Blame it on my youth
Às vezes tenho vergonha de trabalhar numa estação de televisão.
Na maioria das vezes, até temos reportagens boas (temos a vergonha de alguns programas, e etc e tal), mas até temos reportagens boas. Excepto, quando alguém na Redacção se lembra de puxar à veia do pobrezinho, coitadinho do português que não tem emprego.
Meus amigos, eu nem sou de simpatias pelo nosso primeiro e a sua estupidez pegada de dizer que somos mariquinhas, mas daí até achar bem fazer-se uma reportagem sobre o desemprego jovem e pegar num jovem que concluiu o curso em Artes Plásticas e Multimedia (na Escola Politécnica de Beja) em fevereiro de 2011 e ainda está à procura de emprego, há uma grande grande distância...
Primeiro, porque este rapaz acabou o curso em fevereiro de 2011. Sabem o que é que isso significa? Que acabou o curso em época especial. Não é um aluno "da média"...
Segundo, porque em plena reportagem este rapaz diz que "a gente acima de tudo temos que ter os pés bem assentes na terra. Excluir [ir para o estrangeiro] não não excluo mas mêmo núltimo núltimo caso", palavras dele.
Terceiro, por descargo de consciência, assim só para ter a certeza que não estava a ser injusta pesquisei o nome do rapaz no Google. Ora bem, este rapaz não tem perfil no Linkedin, mas CLARO que tem no Facebook, e ainda por cima cheiinho de fotos de grandes festarolas porreiras que eu, que não sou amiga do rapaz consigo ver. Acho que se fosse empregadora ia adorar ver isto.
Não há pachorra...
Na maioria das vezes, até temos reportagens boas (temos a vergonha de alguns programas, e etc e tal), mas até temos reportagens boas. Excepto, quando alguém na Redacção se lembra de puxar à veia do pobrezinho, coitadinho do português que não tem emprego.
Meus amigos, eu nem sou de simpatias pelo nosso primeiro e a sua estupidez pegada de dizer que somos mariquinhas, mas daí até achar bem fazer-se uma reportagem sobre o desemprego jovem e pegar num jovem que concluiu o curso em Artes Plásticas e Multimedia (na Escola Politécnica de Beja) em fevereiro de 2011 e ainda está à procura de emprego, há uma grande grande distância...
Primeiro, porque este rapaz acabou o curso em fevereiro de 2011. Sabem o que é que isso significa? Que acabou o curso em época especial. Não é um aluno "da média"...
Segundo, porque em plena reportagem este rapaz diz que "a gente acima de tudo temos que ter os pés bem assentes na terra. Excluir [ir para o estrangeiro] não não excluo mas mêmo núltimo núltimo caso", palavras dele.
Terceiro, por descargo de consciência, assim só para ter a certeza que não estava a ser injusta pesquisei o nome do rapaz no Google. Ora bem, este rapaz não tem perfil no Linkedin, mas CLARO que tem no Facebook, e ainda por cima cheiinho de fotos de grandes festarolas porreiras que eu, que não sou amiga do rapaz consigo ver. Acho que se fosse empregadora ia adorar ver isto.
Não há pachorra...
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
What makes you beautiful
Há quem diga que "If you never failed, you never lived", mas quando me pediram para ir recuperar as fotografias de Bali, o que me veio à cabeça foi uma adaptação: "If you never travelled, you never lived".
Comparando as fotografias de Bali com as da Tailândia e do Cambodja, fico a pensar que estamos mais velhos - e só passaram dois anos, se bem que dois anos difíceis.
Pode ser só impressão minha, depois de ontem ter chegado à conclusão que a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos já "me" é dirigida: já sou o target (de massas) que se identifica com quem lá está - com as músicas de quando era miúda, com o sketch dos Monty Python e por aí fora...
Mas, voltando à conversa, a verdade é que já estamos fartos de viajar.
Ora vejamos, em cinco anos, já fomos:
- A Roma, Potenza e Lecce (a nossa primeira viagem :))
- A França, várias vezes: Normandia, Paris, Sul de França, Bretanha, só nos falta Lille, Provence, entre outros.
- A Londres, várias vezes, por motivos familiares e não só :)
- A Friuli, a Veneza, ao Lago de Bled na Eslovénia - provavelmente a viagem mais gira que fizemos de carro
- À ilha da Boavista em Cabo-Verde
- A Bali e Singapura
- À Madeira
- À Noruega, no meio da neve, no Natal
- A vários cantos de Portugal, mas ainda nos faltam uns quantos - se bem que cantos só há quatro, mas nós devemos descobrir mais uns
- À Tailândia e ao Cambodja
Acho que este ano já fechámos o capítulo de viagens, mas o que é imensamente bonito é saber que já estamos a sonhar com as que vamos fazer para o ano e nos anos que vierem.
If you never travelled, you never lived.
Comparando as fotografias de Bali com as da Tailândia e do Cambodja, fico a pensar que estamos mais velhos - e só passaram dois anos, se bem que dois anos difíceis.
Pode ser só impressão minha, depois de ontem ter chegado à conclusão que a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos já "me" é dirigida: já sou o target (de massas) que se identifica com quem lá está - com as músicas de quando era miúda, com o sketch dos Monty Python e por aí fora...
Mas, voltando à conversa, a verdade é que já estamos fartos de viajar.
Ora vejamos, em cinco anos, já fomos:
- A Roma, Potenza e Lecce (a nossa primeira viagem :))
- A França, várias vezes: Normandia, Paris, Sul de França, Bretanha, só nos falta Lille, Provence, entre outros.
- A Londres, várias vezes, por motivos familiares e não só :)
- A Friuli, a Veneza, ao Lago de Bled na Eslovénia - provavelmente a viagem mais gira que fizemos de carro
- À ilha da Boavista em Cabo-Verde
- A Bali e Singapura
- À Madeira
- À Noruega, no meio da neve, no Natal
- A vários cantos de Portugal, mas ainda nos faltam uns quantos - se bem que cantos só há quatro, mas nós devemos descobrir mais uns
- À Tailândia e ao Cambodja
Acho que este ano já fechámos o capítulo de viagens, mas o que é imensamente bonito é saber que já estamos a sonhar com as que vamos fazer para o ano e nos anos que vierem.
If you never travelled, you never lived.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Sooner or Later (parte II)
Antes de começar a trabalhar mesmo a sério, pensei hoje que tinha de escrever sobre isto.
Em jeito de fecho.
A verdade é que hei-de escrever sobre as férias maravilhosas, mas agora importa-me escrever sobre isto.
É como de costume, gosto de falar sobre as coisas quando as fecho, porque agora mesmo que eu as diga, mesmo que alguém que não devia as saiba, já não impacta em nada.
Durante uns meses, eu e o P. decidimos tentar ter um filho.
Sempre quisemos ter filhos, e queremos ainda, e fazia parte dos nossos projetos.
Não foi muito tempo, há casais que demoram muito muito tempo e tínhamos a noção disso.
Eu mais, talvez por saber que à partida não sou "muito normal" e que podia/ia levar o seu tempo.
Tivemos de recorrer a ajuda, e deu mal resultado: um quisto chato, enorme que só agora está a ficar mais pequeno.
E durante o quisto, nada feito, nem bebés, nem outras muitas coisas que me roubaram um pouco do ser eu. E do sermos nós.
Foi muito difícil, não vou mentir.
Havia culpabilização, stress, medo, todos os factores onde não deve haver um filho, e onde se batalha todos os dias para manter firme uma relação.
Até podem dizer que isto fortalece os casais, que fortalece - provavelmente são períodos destes que nos mandam para o limiar do "ou resulta mesmo, ou é agora que se vai ver".
Mas garanto por experiência própria que ninguém merece. Crescemos muito rápido, porque assim nos é exigido e não há outra hipótese.
E na maioria das vezes, é uma coisa só. Até se pode falar com várias pessoas - e no meu caso depois de se saber que tinha o quisto não valia a pena esconder o porquê às pessoas mais próximas.
Mas é uma batalha do casal, extremamente sozinha. E não há maneira de assim não o ser.
Com o tempo as coisas mudam, mas demora muito tempo.
A dada altura, deixamos de ter pena para aproveitar outras tantas coisas e entusiasmamo-nos por ser "tios emprestados", aproveitamos a vida de casal, as grandes viagens que ainda podemos fazer; e aprendemos acima de tudo a falar um com o outro.
Pela primeira vez, ontem, foi-me traçado um caminho e há-de fazer um ano desde que tomámos a decisão de tentar ter um filho.
O caminho em si pacificou-me. E saber que nos próximos tempos, os filhos vão parar de ser um projeto não me assustou tanto quanto aquilo que esperava.
Preparamo-nos os dois para continuar a ser um casal tranquilo, para namorarmos mais, viajarmos cada vez mais, assistir às mudanças dos casais à nossa volta. E provavelmente isso também faz parte.
Para já, somos os dois, um dia seremos três, quatro, ou então continuaremos a ser os dois até sermos velhinhos numa casa com lareira e cheia de gatos.
Agora isso não importa, porque é muito cedo, temos muito tempo, mesmo que o tempo passe num instante.
A partir de hoje, paro de falar no quisto, como vou parar de pensar em filhos.
E a sensação de fecho é simplesmente extraordinária.
Em jeito de fecho.
A verdade é que hei-de escrever sobre as férias maravilhosas, mas agora importa-me escrever sobre isto.
É como de costume, gosto de falar sobre as coisas quando as fecho, porque agora mesmo que eu as diga, mesmo que alguém que não devia as saiba, já não impacta em nada.
Durante uns meses, eu e o P. decidimos tentar ter um filho.
Sempre quisemos ter filhos, e queremos ainda, e fazia parte dos nossos projetos.
Não foi muito tempo, há casais que demoram muito muito tempo e tínhamos a noção disso.
Eu mais, talvez por saber que à partida não sou "muito normal" e que podia/ia levar o seu tempo.
Tivemos de recorrer a ajuda, e deu mal resultado: um quisto chato, enorme que só agora está a ficar mais pequeno.
E durante o quisto, nada feito, nem bebés, nem outras muitas coisas que me roubaram um pouco do ser eu. E do sermos nós.
Foi muito difícil, não vou mentir.
Havia culpabilização, stress, medo, todos os factores onde não deve haver um filho, e onde se batalha todos os dias para manter firme uma relação.
Até podem dizer que isto fortalece os casais, que fortalece - provavelmente são períodos destes que nos mandam para o limiar do "ou resulta mesmo, ou é agora que se vai ver".
Mas garanto por experiência própria que ninguém merece. Crescemos muito rápido, porque assim nos é exigido e não há outra hipótese.
E na maioria das vezes, é uma coisa só. Até se pode falar com várias pessoas - e no meu caso depois de se saber que tinha o quisto não valia a pena esconder o porquê às pessoas mais próximas.
Mas é uma batalha do casal, extremamente sozinha. E não há maneira de assim não o ser.
Com o tempo as coisas mudam, mas demora muito tempo.
A dada altura, deixamos de ter pena para aproveitar outras tantas coisas e entusiasmamo-nos por ser "tios emprestados", aproveitamos a vida de casal, as grandes viagens que ainda podemos fazer; e aprendemos acima de tudo a falar um com o outro.
Pela primeira vez, ontem, foi-me traçado um caminho e há-de fazer um ano desde que tomámos a decisão de tentar ter um filho.
O caminho em si pacificou-me. E saber que nos próximos tempos, os filhos vão parar de ser um projeto não me assustou tanto quanto aquilo que esperava.
Preparamo-nos os dois para continuar a ser um casal tranquilo, para namorarmos mais, viajarmos cada vez mais, assistir às mudanças dos casais à nossa volta. E provavelmente isso também faz parte.
Para já, somos os dois, um dia seremos três, quatro, ou então continuaremos a ser os dois até sermos velhinhos numa casa com lareira e cheia de gatos.
Agora isso não importa, porque é muito cedo, temos muito tempo, mesmo que o tempo passe num instante.
A partir de hoje, paro de falar no quisto, como vou parar de pensar em filhos.
E a sensação de fecho é simplesmente extraordinária.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Vou dar de beber à dor
Vou dar de beber à dor, mas sem dor.
Estou cheia de sono, ainda pouco adaptada às diferenças horárias, de umas férias magníficas e de seis horas a menos na labuta, mas muito muito feliz.
Vou dar de beber à dor, porque sabe bem ouvir um fadinho no trabalho mais tranquilo de agosto.
Posso estar cheia de sono, mas é estranho, estou cheia de energia e de optimismo como precisava mesmo.
Pode ser do budismo dos tailandeses, ou do hinduísmo dos cambojanos, mas sinto-me mais eu. O que passou passou, e deixou de ser sombra.
Daqui para a frente, até pode haver quisto e outros desafios novos, ou decisões novas, mas sobretudo há um futuro brilhante e cheio de força.
E há noites dormidas todas de seguida, 8 horas seguidas de sonhos ou sono profundo.
Isto sim, sou eu.
Estou cheia de sono, ainda pouco adaptada às diferenças horárias, de umas férias magníficas e de seis horas a menos na labuta, mas muito muito feliz.
Vou dar de beber à dor, porque sabe bem ouvir um fadinho no trabalho mais tranquilo de agosto.
Posso estar cheia de sono, mas é estranho, estou cheia de energia e de optimismo como precisava mesmo.
Pode ser do budismo dos tailandeses, ou do hinduísmo dos cambojanos, mas sinto-me mais eu. O que passou passou, e deixou de ser sombra.
Daqui para a frente, até pode haver quisto e outros desafios novos, ou decisões novas, mas sobretudo há um futuro brilhante e cheio de força.
E há noites dormidas todas de seguida, 8 horas seguidas de sonhos ou sono profundo.
Isto sim, sou eu.
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